Amanda Prado

Amanda Prado

Maceió, AL (1988)

BIO

Escritora e artista visual. Fez seu percurso acadêmico na Ufal, sendo graduada em Letras (2010), mestra em Estudos Literários (2013) e doutora em Estudos Literários (2018). Em 2012, com o objetivo de divulgar a literatura produzida em Alagoas, fundou a página Literatura & Tapioca. Entre 2014 e 2015, participou do Laboratório Sesc de Criação e Expressão Literária — Conto, ministrado pelo escritor Nilton Resende. Em 2016, seu poema Despedida num sábado à tarde recebeu menção honrosa no II Concurso de Poesia Jorge de Lima (Secult- AL). Em 2017, funda o coletivo Oficina de Experimentação Literária — Ofélia, espaço de construção crítica coletiva em Maceió, que realiza encontros literários, bate-papos, oficinas e lançamentos de livros, além de gerenciar uma revista eletrônica voltada sobretudo para a literatura produzida em Alagoas. Em 2018, ajudou a fundar e passou a integrar a coordenação do FLAL (Fórum de Literatura em Alagoas). Em 2019, com o surgimento da Ofélia edições (microeditora), publicou o livro Verde vidro, lançado em mesa ocorrida durante a Bienal Internacional do Livro de Alagoas. No mesmo ano, participou do Laboratório Sesc de Criação e Expressão Literária – Poesia, ministrado pelo poeta Milton Rosendo. Ainda em 2019, foi eleita conselheira suplente da área de Literatura, livro e leitura (biênio 2019-2021) no Conselho Municipal de Políticas Culturais de Maceió. Participou de diversos eventos literários, entre eles a FLIMAR, a FLIARA e a Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Desde 2015, participa de diversas oficinas com escritores como Amilcar Bettega, Carol Rodrigues, Noemi Jaffe, André Neves e Ronaldo Bressane. Seus textos foram publicados em revistas alagoanas como Graciliano e Alagunas, e nacionais, como Lavoura, Gueto e Estrago. Como artista visual, participou das exposições coletivas II Salão de Arte Contemporânea de Alagoas (2016) e Ciclos visuais (2021).

ESCRITOS

POESIA

Pedra perdendo seiva (2018);

Verde vidro (2019).


CONTO

Inferno tropical (2018, antologia).


LIVRO PARA INFÂNCIA

A ilha de Laura (2015).

POEMA 2

escrever como quem cultiva

uma árvore no vazio

:

as raízes no ar

[dança de garras invisíveis]

sugando das pedras

o seu veneno oculto

escrever como se tomasse do outro

de dentro do dentro

a palavra mais nossa

escrever quando

dentro do abismo

um buraco negro

e como a estagnação de um louco

diante da queda

um poema é 

uma faca

que corta

        a chuva

MÁQUINAS NOTURNAS

se eu escrevesse os barcos

sobrevoando a noite ainda triste

e vazia de estrelas

se as minhas mãos

frias

tocassem o silêncio

oco de outras mãos

numa melodia azul

dueto de violinos

e orquestra

de pássaros

se a copa das árvores

desenhasse

na escuridão do céu

um mapa de estrelas invisíveis

se eu fizesse

um barquinho de papel

e o pousasse

lento

nas mãos do mar

se eu descansasse

agora

uma pequena formiga

no seu ombro

se eu riscasse

na carne das palavras

a dor

da última dança

das ondas

e se eu simplesmente

não adivinhasse

o fim

dentro do instante único

de um fósforo

UM POEMA

escrever como quem cultiva

uma árvore no vazio

:

as raízes no ar

[dança de garras invisíveis]

sugando das pedras

o seu veneno oculto

escrever como se tomasse do outro

de dentro do dentro

a palavra mais nossa

escrever quando

dentro do abismo

um buraco negro

e como a estagnação de um louco

diante da queda

um poema é 

uma faca

que corta

        a chuva