Bruno Ribeiro

Bruno Ribeiro

Maceió, AL (1980)

BIO
Escritor, poeta, professor e pesquisador. É doutor em Estudos Literários (UFAL) e professor efetivo do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), campus Marechal Deodoro. Estreou na poesia com o livro Das horas (Imprensa Oficial Graciliano Ramos 2014). Em 2020, publicou seu segundo livro de poemas, Travessia e sopro (Trajes Lunares). É coautor de Amores ébrios (2017), performance e coletânea que reúne, em livro e CD, poemas de sua autoria e de outros nomes da literatura contemporânea produzida em Alagoas.
ESCRITOS

POESIA

Das horas (2014); 

Amores ébrios ( 2017, coautoria); 

Travessia e sopro (2020).

Anhangabaú

No centro do vale, o concreto ecoa os passos apressados...

De peito aberto, o poema.

o peito nu.

         as nuances do sol

no corpo, torneando as sombras,

atiçando as palavras remotas

ao estrondo dos choques. 

(o poema atravessado de 

indagações)

dança agora neste corpo 

um deus. a barba carregada

de nuvens. 

há instantes de passageiras chuvas,

ainda que o sol nos pinte

a pele menos febril.

diante de chuvas repentinas

o peito nu descobre ilhas

e reconforto de palavras. 

retorna o sol.

ao sol as palavras,

depois de banhadas 

e retorcidas

Ouse

ouse 

um dia

se deixar 

lavar nas águas do rio

sinta suas pedras;

o caminho.

mas ouse o curso

do rio

ao mar.

ouse tocar

o medo;

o revés da barca.

(sinta a farsa

a febre

o delírio

de avessos versos).

ou se 

cair o peso

em águas

como âncora

que se deixe

estar

sob as ondas

tendo braços

a remo

tendo o peito

ainda

por encher

de outras

águas

a enchente

e de outros

versos o poente

ouse 

e se deixe

leme